jueves, 21 de enero de 2010

INTERNET DAS COISAS -A WEB COMEMORA 20 ANOS

Tendências 2010: IDEIAS
No Brasil, 2010 será marcado pelo otimismo na economia e pela expectativa em relação à eleição presidencial. No mundo, a China seguirá crescendo como potência econômica e política -- como provou em Copenhague. Essas e outras tendências são abordadas nas páginas a seguir
TECNOLOGIAA internet das coisas-- Sérgio Teixeira Jr.
A web comemorou seu 20º aniversário em 2009, e nesses primeiros anos de vida o que se viu na rede foi produto do ser humano. Páginas pessoais, lojas de comércio eletrônico, sites de empresas e de governos, redes sociais. Nos próximos 20, o homem vai ser deixado para trás na internet. Mas não se está falando de um futuro sombrio, de submissão do homem à máquina. Pelo contrário. É uma constatação: os sensores estão se acumulando à nossa volta. Eles estão nas novas infraestruturas de energia elétrica (as redes inteligentes), nos sensores instalados em equipamentos industriais, nas redes de telecomunicações. E não são apenas chips: câmeras filmam ruas e estradas 24 horas por dia, sistemas de segurança monitoram residências e empresas. Alguns deles já estão conectados e muitos outros vão plugar-se à rede criando uma nova e valiosíssima coleção de informações que vai se fundir com a internet que conhecemos -- e transformá-la para sempre. "A oportunidade da web não está mais crescendo de forma aritmética. Está crescendo exponencialmente", escreveram recentemente num artigo John Batelle e Tim O’Reilly, gurus do Vale do Silício que cunharam o termo web 2.0. "O fósforo foi riscado entre 1999 e 2004. Entre 2005 e 2009 pôs-se fogo no pavio. Em 2010, acontecerá a explosão."
Essa "internet das coisas" não está no futuro distante, e a prova disso provavelmente está dentro de seu bolso agora. Os smartphones, celulares que têm a sofisticação tecnológica de computadores de mesa de cinco anos atrás, são a face mais visível dessa nova revolução que se aproxima. Muitos dos novos aparelhos têm chips de GPS embutidos. Podem transmitir para amigos e familiares a localização do dono em tempo real, o tempo todo. Podem também agregar às fotos tiradas com o celular informações precisas de localização. As coordenadas de georreferenciamento também funcionam na mão inversa. Quem usa o aplicativo do Google no iPhone, por exemplo, pode optar por receber os resultados de busca mais adequados à sua localização. Quer saber onde está o restaurante italiano mais próximo? A resposta será dada pela base de dados do gigante da internet -- com a ajuda do GPS de seu smartphone. Quer saber mais sobre uma garrafa de vinho na prateleira do supermercado? Basta tirar uma foto do rótulo e submetê-la a um serviço na web. A resposta terá opiniões de outros enófilos, além de uma comparação de preços: uma loja a duas quadras tem a mesma garrafa por um preço 20% mais baixo.
As máquinas também vão conversar entre si -- e, com a ajuda de grandes sistemas computacionais, as informações desse diálogo serão processadas e traduzidas em benefícios para o ser humano. O primeiro grande passo será dado com as redes elétricas inteligentes, uma das principais áreas de investimento em 2010. Os antigos medidores analógicos serão gradualmente substituídos por sistemas digitais, conectados pela internet com a fornecedora de eletricidade. Isso vai permitir, por um lado, mais controle às empresas elétricas. Hoje, elas dependem das reclamações dos clientes para saber quando o fornecimento foi interrompido em uma rua. Com as redes inteligentes, o aviso será disparado automaticamente. Do lado do consumidor, o benefício inicial virá nas contas. Com informações mais precisas sobre os horários de pico de consumo, as empresas elétricas poderão oferecer preços diferenciados de acordo com a hora do dia. Os eletrodomésticos com chips embutidos representam uma segunda fase. Processadores e rádios de comunicação sem fio caem de preço vertiginosamente. Uma estimativa dá conta de que antes do fim da próxima década haverá, para cada pessoa do planeta, mil objetos equipados com chip e sistemas de comunicação sem fio. A conta de luz provavelmente deixará de existir. Em seu lugar haverá um painel de controle, disponível em tempo real na web, mostrando quais são os aparelhos que mais consomem eletricidade e qual é o horário mais conveniente -- ou seja, mais barato -- para ligar a lava-louça, por exemplo.
A internet das coisas também poderá melhorar o trânsito. Já há sistemas de navegação de carros que transmitem em tempo real informações sobre o andamento dos veículos. Mostrados num mapa, eles são uma indicação fiel das condições de trânsito. A saúde se prepara para uma revolução. Sistemas de monitoramento remoto de pacientes vão transmitir dados em tempo real. Estamos apenas começando a vislumbrar os benefícios de ter o mundo dos homens -- e das coisas -- conectado pela web.

No hay comentarios: